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Outro dia cruzou meu caminho no Instagram aquela cena da Elizabeth Taylor recebendo um set de joias de rubi Cartier de seu então marido Mike Todd à beira da piscina, mais precisamente na Villa que alugaram para passar o verão de 1957 em Cap-Ferrat, na Riviera Francesa. O pensamento intrusivo que me ocorreu foi: por que um take como esse é tão glamourizado e o equivalente contemporâneo a ele, na versão jogador de futebol e influencer com milhões de seguidores, soa tão indigesto? Se você pensar friamente, é a mesma coisa. A ostentação televisionada de joias poderosas, o presente de um homem poderoso a uma mulher belíssima, o cenário de tirar o fôlego em ritmo de “que seja eterno enquanto dure”.
Ando pensando muito em gosto, ou na falta dele. Usar a expressão mau gosto acho perigoso, porque bom e mau, tanto quanto feio ou bonito, são conceitos bastante relativos. Mas que certas escolhas carregam gosto e outras nem tanto, isso é inegável. Talvez a diferença esteja no contexto de mundo, no “raro versus caro”, usando uma expressão de Costanza Pascolato que justifica o luxo a partir de um conceito de escassez.
Em 2026, não existe mais escassez quando pensamos em oferta de luxo. Pertencer a esse mundo outrora tão exclusivo ficou muito mais fácil, e não porque o poder aquisitivo tenha aumentado, mas porque o acesso à informação é irrestrito. Todo mundo sabe exatamente o que está acontecendo o tempo todo. Todo mundo é autor, é estrela, tem a chance de viver seus cinco minuntinhos de fama se assim desejar. Em tendo dinheiro, todo mundo compra o que quiser. “Ah, mas precisa entrar numa lista…” Reforçando: em tendo dinheiro, todo mundo compra o que quiser. Mas e o gosto? Morreu na praia, mais precisamente em Cap-Ferrat, em 1957.
Pharrell Williams surfou uma onda. Quer dizer, não surfou literalmente, mas quase, já que o set do desfile para o verão 2017 da Louis Vuitton – o rapper é diretor criativo da linha masculina da grife desde fevereiro de 2023 – era composto por uma onda de oito metros de altura por 37 metros de largura montada no pátio da Cité Internationale Universitaire de Paris, campus universitário que fica ao sul da cidade. A internet está até agora falando dela e, consequentemente, da marca e, mais uma vez, a onda levou todo o resto, já que a discussão acerca dos looks foi totalmente eclipsada.
E os looks são ótimos. Pharrell têm feito um excelente trabalho em recuperar o repertório imagético clássico dos baús e bolsas Vuitton, tais como a canvas damier – quadriculada, que aparece no tricô do início – e o próprio monograma LV, e transformá-los em linguagem de moda street. Tem muito de Dapper Dan no que ele vem fazendo hoje pela marca, já que entende perfeitamente que, no caso da Louis Vuitton, é sobre atrair aquela parcela da população específica que começa agora a se relacionar com o luxo.
Dan, para quem não sabe, é o estilista do Harlem, em Nova York, que durante as décadas de 80 e 90 operou uma boutique no bairro que foi a responsável por introduzir o que se conhece hoje como bootleg, técnica de desmontagem de acessórios de grife a partir da qual ele dava vida a peças de roupa logotipadas que não existiam até então. Foi assim que rappers, esportistas e DJs em ascensão, porém sem acesso tradicional às lojas da Madison Avenue, começaram a se vestir de logo dos pés à cabeça e, com isso, manifestar sua ascensão financeira.
Além da Vuitton, chamou minha atenção na última temporada masculina o desfile da Ralph Lauren, que aconteceu excepcionalmente em Milão e também foi marcado por um resgate pungente dos códigos visuais que, nas décadas de 80 e 90, ajudaram a transformar essa numa das maiores fashion houses do globo. Temos os blazers marinhos, as calças brancas, as listras, as gravatas largas e – pasmem – até os ursinhos de sua etiqueta irmã, a Polo, tudo combinado engenhosamente tal como se praticava 30 anos atrás. Vale lembrar que foi nos 90 que o hip-hop ganhou voz no mundo da moda e passou a vestir e fundir sua cultura com a das grifes mais bombadas de então, e a Ralph Lauren está entre elas, portanto não é exagero afirmar que existe muito mais em comum entre Louis Vuitton e Ralph Lauren hoje que a gente possa imaginar.
Desafiador casar nos dias de hoje e fazer deste um momento privado. Nossa, depois que escrevi essa frase é que percebi que ela não fazia o menor sentido: quem, em pleno 2026, tem o desejo de manter qualquer coisa, quiçá uma festa de casamento, no modo privado? Algumas pessoas até tem, mas certamente não figuras públicas e nem aspirantes a. No mês que passou, a cantora pop Dua Lipa casou em três momentos com o ator britânico Callum Turner. Primeiro, numa cerimônia civil em Londres; depois, em uma wedding trip que durou três dias na cidade de Palermo, na Sicília, cujo clímax só foi divulgado ao público alguns dias depois.
Teve vestido Schiaparelli, Bottega Veneta e até alta-costura da Chanel. Teve foto oficial, extraoficial, cenário de filme, cobertura da imprensa, do povo, comentários e reviews mil. O que não teve: quem não tenha sido impactado.
Agora, por algum motivo que eu desconheço completamente, Dua (ou melhor Lipa?) me parece exemplar único de espécie raríssima: ela transborda felicidade genuína. Experimenta entrar na sua conta no Instagram (@dualipa) e dá uma rolada no feed. Duvido você não achar que está conferindo a conta de uma amiga íntima… Tem merchan? Tem. Tem show para milhares de pessoas em estádio de futebol? Tem também. Mas tem abraço com a mãe, lukinho no espelho, foto borrada, riso espontâneo, clube do livro.
Acho possível criar um feed de Instagram de acordo com o que a gente quer vender, que pode até ser espontaneidade e alegria de viver. Mas considero impossível forjar uma atitude frente à vida. Com certeza ela também carrega seus demônios, dores e unhas encravadas como qualquer um de nós, mas acredito verdadeiramente que soube se encontrar dentro de uma vida extraordinária de parâmetros incalculáveis de fama e assédio.
Pior que não ser famoso é ser e ter que conviver com quem se é e com o objeto de projeção de tanta gente ao mesmo tempo. Os casos que a gente conhece não são bons e muitos não tiveram finais felizes, mas, até agora, Lipa nos prova o contrário. Bom pra ela, mas o que é mesmo que nós, meros mortais, temos a ver com isso?
A lição é clara: se está difícil ter 10 mil seguidores e lidar com a pressão e a expectativa do outro, imagina quem tem 88 milhões deles? Faça como Dua Lipa e acredite: ser feliz sempre foi e sempre será a melhor vingança!
Meu evento favorito do ano quando o assunto é conteúdo responde pelo nome de Iguatemi Talks Fashion. E não é porque trabalho com o Grupo Iguatemi há mais de seis anos não – gosto porque sento na cadeira, assisto a todos os painéis e saio mais informada e reflexiva do que entrei. No último dia 23 rolou a primeira edição da versão Wellness do evento e, mais uma vez, levei boas lições que compartilho com vocês de forma condensada a seguir.
“Diria que meu maior desafio é projetar autenticidade. Quero que mulheres como Angelina Jolie e Cindy Crawford sintam-se como elas são e sejam inesquecíveis, porque ser perfeita não é sinônimo de ser inesquecível.”
Harold James, global beauty artist da L’Oréal Paris e maquiador de estrelas com as citadas acima
“O cérebro da gente tem dez mil anos, e um cérebro de dez mil anos não está preparado para se relacionar com a internet, esse fenômeno tão recente. Como faz para um cérebro com essa idade lidar com hate, por exemplo? Não consumo rede social porque não quero nem correr o risco de acreditar que sou aquilo que estão falando que eu sou, para o bem e para o mal também.”
Felipe Bressanim Pereira, o Felca.
“Quando vendi minha marca percebi que os investidores só me queriam para representar a marca publicamente e atuar como o Mickey, mas eu sempre fui Walt Disney, eu sempre gostei mais do processo de criar produtos que melhorassem a qualidade de vida das pessoas.”
Flávio Passos, fundador da Puravida e da Puríssima.
“Imagina diminuir sua capacidade cerebral em 30% justamente na época da vida em que você está mais produtiva? Pois é exatamente isso o que acontece com a mulher quando entra na menopausa, condição essa que sabe-se hoje que não é mais ovariana, ela é sistêmica e afeta o corpo como um todo.”
Claudia Raia, atriz e entusiasta pública da reposição hormonal.














Oi Bá, essa edição está especial, hein?! A propósito, vc já assistiu ao documentário biográfico do Ralph Lauren, “Very Ralph”, de 2019 e disponível no Prime Video?! Fui assistir com uma expectativa e fui totalmente surpreendida: saí emocionadíssima , q pessoa inspiradora! Um bjo
Uau uau uau! Realmente uma barbaridade 👏👏